
APRESENTAÇÃO
Estágio realizado na região de Santa Juliana – MG, no período de 08 de janeiro de 2007 á 10 de fevereiro do mesmo ano, sob carga horária de 240 horas. Com o objetivo de treinamento profissional, assimilação dos conhecimentos adquiridos no curso e também, atribuição de novos conhecimentos técnicos na pecuária. Feito sob supervisão do médico veterinário, Eduardo Dias Furtado. Devidamente avaliado e concluído.
1 – INTRODUÇAO
Com base no desenvolvimento tecnológico e importância econômica da pecuária, a necessidade do acompanhamento técnico nas propriedades rurais tem aumentado. Essa demanda provém da necessidade dos produtores rurais de maior eficiência na atividade.
A implantação de novas tecnologias de manejo, o controle sanitário e a prestação de outros serviços veterinários são atividades que exigem uma mão-de-obra qualificada. A utilização deste recurso tem sido diferencial no sucesso das empresas rurais.
Foi realizado um estágio supervisionado, em janeiro de 2007, na região de Santa Juliana/MG. O estágio caracterizou-se pela prestação de serviços veterinários em diversas propriedades da região, conforme a necessidade dos clientes. As atividades exercidas neste período serão descritas ordenadamente no que segue.
2 - ATIVIDADES REALIZADAS
2.1-Vacinação brucelose
A brucelose é uma doença infecciosa, causada por bactérias Gran negativas do gênero Brucella. É transmitida por ingestão de alimentos e água contaminados. Também pelo sangue, urina, placenta e corrimentos uterinos de animais infectados. Tem como principais sintomas a retenção da placenta, aborto e outros problemas com o sistema reprodutor.
Durante o estágio, de acordo com a solicitação dos produtores, foram feitas vacinações para prevenção da brucelose. Essa vacina é obrigatória e só pode ser feita por um médico veterinário ou alguém treinado por um veterinário sob sua responsabilidade. Os animais a serem vacinados são as fêmeas com idade de 3 a 8 meses. A vacina de brucelose é uma vacina viva, deve ser mantida em temperatura de 4ºC a 8ºC e após aberta não se pode guardar para usar novamente.
É necessário tomar cuidados, como o uso de luvas, evitando contato com o produto. A dose administrada é de 2ml, por via subcutânea na região da tábua do pescoço. As bezerras vacinadas no ano de 2007 devem ser marcadas com a marca “ V 7 ’’ no lado esquerdo da face.
2.2 -Vacinação carbúnculo
O carbúnculo é uma doença infecto contagiosa dos bovinos, principalmente de animais jovens. É conhecida no Brasil por “Peste da Manqueira”. Seu agente causal é uma bactéria chamada Clostridium chauvoei. Tem como sintoma a dificuldade de locomoção devido a multiplicação da bactéria nos músculos e tecido subcutâneo, geralmente na paleta ou quartos traseiros.
Na vacinação do carbúnculo, são utilizadas vacinas polivalentes, ou seja, que dão imunidade também contra outros tipos de clostrídios. A vacina é aplicada na desmama e ao completar 12 meses de idade.
Foi feita a vacinação de clostridioses em animais que estavam sendo desmamados. Realizou-se a aplicação de 2 a 3 ml/animal via subcutânea na região da tábua do pescoço, usando um estojo do tipo pistola. Esses animais serão vacinados novamente aos 12 meses de idade.
2.3 - Mochação
Em um rebanho de gado leiteiro é importante que os animais sejam mochados. Exceto quando o chifre é fator de caracterização racial, no caso de gado elite. O objetivo de o rebanho ser mocho é que com isso pode-se facilitar o manejo, o transporte, diminuir a competição nos comedouros e bebedouros, evitar acidentes entre os animais e, além disso, obter uma uniformidade de rebanho.
No período do estágio foram mochados alguns animais. A mochação consiste na queima do botão cornoal, que é o qual da origem ao chifre. É feita em animais novos, quando começam a apresentar chifre, geralmente com um mês de idade. Foi utilizado nessa prática o ferro de mochação ou o mochador elétrico, cordas, canivete e ungüento.
Primeiramente o animal a ser mochado é amarrado de forma que fique imobilizado e deitado. Enquanto isso o ferro deve estar sendo aquecido. Quando o ferro estiver candente, deve ser pressionado sobre o botão córneo, movimentando-o cuidadosamente para evitar que a pele seja queimada. Em seguida, ao perceber que o botão está queimado e soltando da cabeça do animal, o ferro é colocado novamente no fogo. Com o canivete limpo corta-se a parte queimada. Novamente com o ferro é queimado aquele local, deixando o botão córneo inativo. É verificado se não há algum tipo de hemorragia, então é passada a pomada de ungüento que é refrescante e cicatrizante.
2.4 - Descorna
A descorna é a prática de retirada do chifre dos animais. É importante para facilitar o manejo, evitando acidentes e diminuindo a competição entre os animais. Também é considerada importante a questão estética e a uniformidade do rebanho.
Durante o estágio a descorna foi realizada conforme a solicitação de produtores rurais. Na maioria dos casos os motivos eram estéticos, ou seja, para melhorar a aparência dos animais e manter uniformidade do rebanho.
Para a descorna foi utilizado bisturi, anestésico local, sedativo, segueta, agulha para sutura, pinças, pinças hemostáticas, tesoura, linha de nylon e solução de iodo 0,5%.
Primeiramente, todas as ferramentas foram colocadas na solução de iodo. Foi aplicado o sedativo Rompun, 1 a 2ml (de acordo com o tamanho do animal), por via intramuscular. Após isso o animal foi amarrado e deitado. Amarrando a cabeça ligada aos membros posteriores de modo que o animal ficou imobilizado, antes que ele adormecesse.
Primeiramente foi feita a tricotomia em volta dos chifres. Em seguida o anestésico local foi aplicado na região subcutânea que envolve o chifre. Com o bisturi, foi feito um corte na região periférica do chifre. Essa já estava devidamente anestesiada. Com a pinça e o bisturi procura-se abrir a pele de forma que se possa serrar o chifre. Caso ocorra o corte de alguma veia provocando vazamento, é preciso encontrá-la e estanca-la com a pinça hemostática e/ou fazer um nó com linha de nylon fina na mesma, apertando apenas o suficiente para parar de sangrar. Posteriormente o chifre é serrado com a segueta, acompanhando o desenho do crânio do animal, tomando cuidados para não deixar pontas no osso. Logo se observa novamente a presença de hemorragias, resolvendo-as se houver. Só após esse procedimento é feita a sutura. Os pontos devem ser distanciados aproximadamente 2,0cm e bem presos. É preciso que a pele se encontre inteiramente, para melhor cicatrização. O outro chifre segue o modelo do primeiro para que a cabeça do animal não fique defeituosa.
2.5 - Diagnóstico de gestação via palpação retal
O diagnóstico de gestação via palpação retal, mais conhecido como toque, é uma prática que tem facilitado o manejo reprodutivo das propriedades rurais. O único profissional habilitado a realizar essa atividade é o veterinário.
O toque facilita o manejo reprodutivo, pois sabendo o estádio de gestação de uma vaca pode-se estabelecer quando “secar” esse animal; ou, por exemplo, no caso de não estar gestante, inseminá-la novamente e/ou constatar a situação de sua fertilidade, acelerando o processo de descarte de vacas inférteis.
Durante o estágio, semanalmente, em várias propriedades era feito o diagnóstico de gestação, de acordo com a necessidade. Consiste em colocar o braço no reto da vaca, utilizando luvas descartáveis como as de inseminação. Com a mão no reto do animal o veterinário procura, palpando o útero, constatar se a vaca está gestante e se estiver qual o seu estádio de gestação.
2.6 - Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF)
A inseminação artificial em tempo fixo consiste em inseminar os animais com data marcada. Isso é feito pela ovulação induzida. A inseminação do animal é feita antes da ovulação. Assim, quando a vaca ovular, já estará preparada para ficar prenhe. Desse modo todas as vacas de um rebanho podem ser sincronizadas para serem inseminadas num único dia.
As vantagens do uso da IATF são: prazo curto de implantação; baixo custo; com ela é obtida a padronização dos nascimentos e na desmama; racionalidade no manejo; melhor preço na venda; com esse manejo é alcançada a meta de um bezerro por vaca por ano; rápida identificação de vacas problemas, tendo com isso o abate antecipado destes animais, diminuindo despesas, liberando pastagens e mão-de-obra.
Foi realizado o diagnóstico de gestação em vacas que foram submetidas à IATF. Nessa atividade foi observado um resultado de 50% de concepção. Esse resultado é considerado bom, visto que as vacas trabalhadas estavam tendo problemas de fertilidade. O comum nesses casos é uma eficiência de 40%. As vacas que não obtiveram sucesso foram testadas novamente em monta natural. As que não emprenharem serão descartadas e destinadas ao abate.
2.7 - Prolápso uterino
O prolápso uterino é quando no parto o bezerro acaba trazendo com ele o útero, virando o mesmo de dentro para fora. O útero fica suspenso fora da vaca. Isso causa muita dor e desconforto à vaca. Geralmente as vacas que sofrem esse tipo de problema, quando não morrem, perdem seus valores reprodutivos e são destinadas ao abate.
No estágio foi realizado um socorro a uma vaca que havia sofrido prolápso uterino. Apesar do desconforto a vaca estava calma e bastou coloca-la no tronco para ser contida. Porém na maioria dos casos é preciso amarrar o animal. É importante que o animal fique em pé e imobilizado.
No caso citado, após conter a vaca, foi passado um pano limpo por baixo do útero. Em três pessoas, utilizando luvas, foi exercido força para suspender e empurrar o útero para dentro da vaca. Posteriormente, visto que o útero estava dentro da vaca, foi feita a sutura da vulva do animal, procurando passar os pontos em lugares de estrutura mais firme, distanciados aproximadamente 5 cm e não muito apertados evitando o rompimento dos mesmos.
Após isso foi administrado: três aplicações de 30ml de Azium aplicado em dias alternados por via intramuscular dividindo a dose, evitando aplicar mais que 10ml em cada local; 30ml de terramicina via intramuscular também evitando aplicar mais de 10ml no mesmo lugar.
Foi pedido ao funcionário da fazenda que todo dia o local fosse lavado e passado mata bicheira evitando outros problemas. Após cinco dias, os pontos romperam. Foi feito um retorno e nesse dia foram retiradas da vulva as partes necrosadas. Foram feitas novamente as mesmas aplicações de remédios.
2.8 - Casqueamento
Na bovinocultura leiteira é freqüente a ocorrência de doenças de casco, devido à genética da raça holandesa que é pouco resistente a estas doenças. Os problemas de casco dificultam a locomoção dos animais, diminuindo assim a sua produção.
Para o casqueamento foram utilizadas rinetas, torques, bisturi e anestésico local. Primeiramente o animal é contido. Posteriormente é feita a limpeza do casco. É necessário sempre estar utilizando luvas descartáveis. Com a rineta é feita a raspagem das brocas presentes no casco, que é definida por uma cor preta e consistência fragilizada, também caracterizada pelo odor de algo que esteja em estado de putrefação. A broca deve ser totalmente raspada, evitando assim que ela se multiplique novamente. Com a torques é feito o corte do excesso de pinça no casco. Na região interdigital é comum a ocorrência de inflamações. Estas são causadas pelo barro e pedras que vão ferindo o local. Nesse caso é preciso anestesiar o local e fazer o corte com bisturi, retirando a carne necrosada e as possíveis pedras ou pedaços de madeira que estejam ferindo o local.
Em casos de comprometimento de um casco das patas, uma boa medida pode ser a amputação de falange. A amputação é a retirada de uma unha comprometida evitando o agravamento dessa situação ao passar para a outra unha.
Geralmente a decisão de amputar uma falange é tomada durante o casqueamento. Sendo assim o animal já está contido. É feita a aplicação de um sedativo. Posteriormente a tricotomia da região periférica da unha. Em seguida é aplicado o anestésico local em uma faixa aproximada de 5 cm. Posteriormente é feito um corte com o bisturi na região sobre a muralha da unha. Após isso é necessário dissecar o local, para que após a amputação reste pele para a sutura. Em seguida é feito um corte separando os ligamentos da falange distal e medial. Assim a falange distal está amputada. É observado se há hemorragias, nesse caso é preciso localizá-los e conte-los. Posteriormente é feita a sutura. Antes de encerrar a sutura é preciso, com um dedo de luva cortado em forma de funil, fazer um dreno no local. É preciso que esse animal fique em observação, pois se os pontos se romperem deve-se refazê-los.

3 - Conclusão
Concluiu-se que a utilização de uma mão-de-obra qualificada tem sido fundamental no desempenho da pecuária. A atribuição de novas tecnologias tem adquirido uma maior credibilidade do produtor, que está cada vez mais conscientizado. Esses fatores são resultados de anos de trabalho e estudo de profissionais da área. Entretanto, ainda há muito que ser feito para alcançar o máximo de eficiência econômica e produtiva do setor. Um caminho a ser seguido é a integração da agricultura e pecuária na busca do desenvolvimento sustentável.

Um comentário:
Bem legal o blog. primeiro que eu achei nessa linha. Também faço veterinária estou no 2ºano, e achei muito interessante o blog como meio de troca de informações.
Vou seguir... :D
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