quinta-feira, 8 de maio de 2008

Curriculum vitae

FERNANDO ASSIS DE FREITAS

End: Rua das Oliveiras nº394
Bairro de Lourdes Uberaba MG

Telefone: 34 –3317 5152, 34-9995 0760
Correio eletrônico: goianonandim@hotmail.com

Informações pessoais:

Estado civil: solteiro

Nacionalidade: Brasileiro

Idade: 19 anos

Naturalidade: Goiânia - GO

Filiação: Abigail Paula de Freitas e Nelcides Pires de Assis (in-memorian)

Objetivo: Emprego

Formação:
  • Curso de inglês: 2001-2004 FISK – NOVA CANAA DO NORTE – MT
  • Curso básico de computação: 2001-2003 M A Informática NOVA CANAA DO NORTE - MT
  • 2º GRAU COMPLETO em 2006:
    CURSO TECNICO AGRICOLA COM HABILITAÇAO EM ZOOTECNIA
    2004 – 2006 CEFET – CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇAO TECNOLOGICA DE UBERABA-MG
  • Certificados recebidos:
    III VIATEC – 2004 – CEFET- UBERABA – MG
    Exposição dos trabalhos de pesquisa: Suplementação Mineral para Bovinos – Manejo ecológico e econômico dos dejetos de suínos.
    § Palestras Tecnológicas: Soja transgênica, Melhoramento genético animal, Manejo de dejetos e Desenvolvimento Sustentável.
    SENAR – MG 2004
    § TREINAMENTO EM BOVINOCULTURA DE LEITE
  • Experiência profissional:
  • 2001 – 2004 COLORADO NUTRIÇÃO ANIMAL NOVA CANAA DO NORTE - MT
    AUXILIAR DE PRODUÇAO
    § Controle dos micro-elementos
    § Acompanhamento de Assistência técnica
  • 2007-2008 UNIUBE-AUDIO VISUAL

§ Auxiliar administrativo


Trabalhos voluntários

  • Auxiliar da sala de ordenha – Mega Leite 2006 – Uberaba - MG

Ocupação:

  • Cursando segundo período de medicina veterinária na UNIUBE.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

RELATORIO DE ESTÁGIO
















APRESENTAÇÃO

Estágio realizado na região de Santa Juliana – MG, no período de 08 de janeiro de 2007 á 10 de fevereiro do mesmo ano, sob carga horária de 240 horas. Com o objetivo de treinamento profissional, assimilação dos conhecimentos adquiridos no curso e também, atribuição de novos conhecimentos técnicos na pecuária. Feito sob supervisão do médico veterinário, Eduardo Dias Furtado. Devidamente avaliado e concluído.



1 – INTRODUÇAO

Com base no desenvolvimento tecnológico e importância econômica da pecuária, a necessidade do acompanhamento técnico nas propriedades rurais tem aumentado. Essa demanda provém da necessidade dos produtores rurais de maior eficiência na atividade.

A implantação de novas tecnologias de manejo, o controle sanitário e a prestação de outros serviços veterinários são atividades que exigem uma mão-de-obra qualificada. A utilização deste recurso tem sido diferencial no sucesso das empresas rurais.

Foi realizado um estágio supervisionado, em janeiro de 2007, na região de Santa Juliana/MG. O estágio caracterizou-se pela prestação de serviços veterinários em diversas propriedades da região, conforme a necessidade dos clientes. As atividades exercidas neste período serão descritas ordenadamente no que segue.



2 - ATIVIDADES REALIZADAS

2.1-Vacinação brucelose

A brucelose é uma doença infecciosa, causada por bactérias Gran negativas do gênero Brucella. É transmitida por ingestão de alimentos e água contaminados. Também pelo sangue, urina, placenta e corrimentos uterinos de animais infectados. Tem como principais sintomas a retenção da placenta, aborto e outros problemas com o sistema reprodutor.

Durante o estágio, de acordo com a solicitação dos produtores, foram feitas vacinações para prevenção da brucelose. Essa vacina é obrigatória e só pode ser feita por um médico veterinário ou alguém treinado por um veterinário sob sua responsabilidade. Os animais a serem vacinados são as fêmeas com idade de 3 a 8 meses. A vacina de brucelose é uma vacina viva, deve ser mantida em temperatura de 4ºC a 8ºC e após aberta não se pode guardar para usar novamente.

É necessário tomar cuidados, como o uso de luvas, evitando contato com o produto. A dose administrada é de 2ml, por via subcutânea na região da tábua do pescoço. As bezerras vacinadas no ano de 2007 devem ser marcadas com a marca “ V 7 ’’ no lado esquerdo da face.


2.2 -Vacinação carbúnculo

O carbúnculo é uma doença infecto contagiosa dos bovinos, principalmente de animais jovens. É conhecida no Brasil por “Peste da Manqueira”. Seu agente causal é uma bactéria chamada Clostridium chauvoei. Tem como sintoma a dificuldade de locomoção devido a multiplicação da bactéria nos músculos e tecido subcutâneo, geralmente na paleta ou quartos traseiros.

Na vacinação do carbúnculo, são utilizadas vacinas polivalentes, ou seja, que dão imunidade também contra outros tipos de clostrídios. A vacina é aplicada na desmama e ao completar 12 meses de idade.

Foi feita a vacinação de clostridioses em animais que estavam sendo desmamados. Realizou-se a aplicação de 2 a 3 ml/animal via subcutânea na região da tábua do pescoço, usando um estojo do tipo pistola. Esses animais serão vacinados novamente aos 12 meses de idade.



2.3 - Mochação

Em um rebanho de gado leiteiro é importante que os animais sejam mochados. Exceto quando o chifre é fator de caracterização racial, no caso de gado elite. O objetivo de o rebanho ser mocho é que com isso pode-se facilitar o manejo, o transporte, diminuir a competição nos comedouros e bebedouros, evitar acidentes entre os animais e, além disso, obter uma uniformidade de rebanho.

No período do estágio foram mochados alguns animais. A mochação consiste na queima do botão cornoal, que é o qual da origem ao chifre. É feita em animais novos, quando começam a apresentar chifre, geralmente com um mês de idade. Foi utilizado nessa prática o ferro de mochação ou o mochador elétrico, cordas, canivete e ungüento.

Primeiramente o animal a ser mochado é amarrado de forma que fique imobilizado e deitado. Enquanto isso o ferro deve estar sendo aquecido. Quando o ferro estiver candente, deve ser pressionado sobre o botão córneo, movimentando-o cuidadosamente para evitar que a pele seja queimada. Em seguida, ao perceber que o botão está queimado e soltando da cabeça do animal, o ferro é colocado novamente no fogo. Com o canivete limpo corta-se a parte queimada. Novamente com o ferro é queimado aquele local, deixando o botão córneo inativo. É verificado se não há algum tipo de hemorragia, então é passada a pomada de ungüento que é refrescante e cicatrizante.

2.4 - Descorna

A descorna é a prática de retirada do chifre dos animais. É importante para facilitar o manejo, evitando acidentes e diminuindo a competição entre os animais. Também é considerada importante a questão estética e a uniformidade do rebanho.

Durante o estágio a descorna foi realizada conforme a solicitação de produtores rurais. Na maioria dos casos os motivos eram estéticos, ou seja, para melhorar a aparência dos animais e manter uniformidade do rebanho.

Para a descorna foi utilizado bisturi, anestésico local, sedativo, segueta, agulha para sutura, pinças, pinças hemostáticas, tesoura, linha de nylon e solução de iodo 0,5%.
Primeiramente, todas as ferramentas foram colocadas na solução de iodo. Foi aplicado o sedativo Rompun, 1 a 2ml (de acordo com o tamanho do animal), por via intramuscular. Após isso o animal foi amarrado e deitado. Amarrando a cabeça ligada aos membros posteriores de modo que o animal ficou imobilizado, antes que ele adormecesse.

Primeiramente foi feita a tricotomia em volta dos chifres. Em seguida o anestésico local foi aplicado na região subcutânea que envolve o chifre. Com o bisturi, foi feito um corte na região periférica do chifre. Essa já estava devidamente anestesiada. Com a pinça e o bisturi procura-se abrir a pele de forma que se possa serrar o chifre. Caso ocorra o corte de alguma veia provocando vazamento, é preciso encontrá-la e estanca-la com a pinça hemostática e/ou fazer um nó com linha de nylon fina na mesma, apertando apenas o suficiente para parar de sangrar. Posteriormente o chifre é serrado com a segueta, acompanhando o desenho do crânio do animal, tomando cuidados para não deixar pontas no osso. Logo se observa novamente a presença de hemorragias, resolvendo-as se houver. Só após esse procedimento é feita a sutura. Os pontos devem ser distanciados aproximadamente 2,0cm e bem presos. É preciso que a pele se encontre inteiramente, para melhor cicatrização. O outro chifre segue o modelo do primeiro para que a cabeça do animal não fique defeituosa.

2.5 - Diagnóstico de gestação via palpação retal

O diagnóstico de gestação via palpação retal, mais conhecido como toque, é uma prática que tem facilitado o manejo reprodutivo das propriedades rurais. O único profissional habilitado a realizar essa atividade é o veterinário.

O toque facilita o manejo reprodutivo, pois sabendo o estádio de gestação de uma vaca pode-se estabelecer quando “secar” esse animal; ou, por exemplo, no caso de não estar gestante, inseminá-la novamente e/ou constatar a situação de sua fertilidade, acelerando o processo de descarte de vacas inférteis.

Durante o estágio, semanalmente, em várias propriedades era feito o diagnóstico de gestação, de acordo com a necessidade. Consiste em colocar o braço no reto da vaca, utilizando luvas descartáveis como as de inseminação. Com a mão no reto do animal o veterinário procura, palpando o útero, constatar se a vaca está gestante e se estiver qual o seu estádio de gestação.

2.6 - Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF)

A inseminação artificial em tempo fixo consiste em inseminar os animais com data marcada. Isso é feito pela ovulação induzida. A inseminação do animal é feita antes da ovulação. Assim, quando a vaca ovular, já estará preparada para ficar prenhe. Desse modo todas as vacas de um rebanho podem ser sincronizadas para serem inseminadas num único dia.

As vantagens do uso da IATF são: prazo curto de implantação; baixo custo; com ela é obtida a padronização dos nascimentos e na desmama; racionalidade no manejo; melhor preço na venda; com esse manejo é alcançada a meta de um bezerro por vaca por ano; rápida identificação de vacas problemas, tendo com isso o abate antecipado destes animais, diminuindo despesas, liberando pastagens e mão-de-obra.

Foi realizado o diagnóstico de gestação em vacas que foram submetidas à IATF. Nessa atividade foi observado um resultado de 50% de concepção. Esse resultado é considerado bom, visto que as vacas trabalhadas estavam tendo problemas de fertilidade. O comum nesses casos é uma eficiência de 40%. As vacas que não obtiveram sucesso foram testadas novamente em monta natural. As que não emprenharem serão descartadas e destinadas ao abate.

2.7 - Prolápso uterino

O prolápso uterino é quando no parto o bezerro acaba trazendo com ele o útero, virando o mesmo de dentro para fora. O útero fica suspenso fora da vaca. Isso causa muita dor e desconforto à vaca. Geralmente as vacas que sofrem esse tipo de problema, quando não morrem, perdem seus valores reprodutivos e são destinadas ao abate.

No estágio foi realizado um socorro a uma vaca que havia sofrido prolápso uterino. Apesar do desconforto a vaca estava calma e bastou coloca-la no tronco para ser contida. Porém na maioria dos casos é preciso amarrar o animal. É importante que o animal fique em pé e imobilizado.

No caso citado, após conter a vaca, foi passado um pano limpo por baixo do útero. Em três pessoas, utilizando luvas, foi exercido força para suspender e empurrar o útero para dentro da vaca. Posteriormente, visto que o útero estava dentro da vaca, foi feita a sutura da vulva do animal, procurando passar os pontos em lugares de estrutura mais firme, distanciados aproximadamente 5 cm e não muito apertados evitando o rompimento dos mesmos.

Após isso foi administrado: três aplicações de 30ml de Azium aplicado em dias alternados por via intramuscular dividindo a dose, evitando aplicar mais que 10ml em cada local; 30ml de terramicina via intramuscular também evitando aplicar mais de 10ml no mesmo lugar.

Foi pedido ao funcionário da fazenda que todo dia o local fosse lavado e passado mata bicheira evitando outros problemas. Após cinco dias, os pontos romperam. Foi feito um retorno e nesse dia foram retiradas da vulva as partes necrosadas. Foram feitas novamente as mesmas aplicações de remédios.



2.8 - Casqueamento

Na bovinocultura leiteira é freqüente a ocorrência de doenças de casco, devido à genética da raça holandesa que é pouco resistente a estas doenças. Os problemas de casco dificultam a locomoção dos animais, diminuindo assim a sua produção.

Para o casqueamento foram utilizadas rinetas, torques, bisturi e anestésico local. Primeiramente o animal é contido. Posteriormente é feita a limpeza do casco. É necessário sempre estar utilizando luvas descartáveis. Com a rineta é feita a raspagem das brocas presentes no casco, que é definida por uma cor preta e consistência fragilizada, também caracterizada pelo odor de algo que esteja em estado de putrefação. A broca deve ser totalmente raspada, evitando assim que ela se multiplique novamente. Com a torques é feito o corte do excesso de pinça no casco. Na região interdigital é comum a ocorrência de inflamações. Estas são causadas pelo barro e pedras que vão ferindo o local. Nesse caso é preciso anestesiar o local e fazer o corte com bisturi, retirando a carne necrosada e as possíveis pedras ou pedaços de madeira que estejam ferindo o local.
Em casos de comprometimento de um casco das patas, uma boa medida pode ser a amputação de falange. A amputação é a retirada de uma unha comprometida evitando o agravamento dessa situação ao passar para a outra unha.
Geralmente a decisão de amputar uma falange é tomada durante o casqueamento. Sendo assim o animal já está contido. É feita a aplicação de um sedativo. Posteriormente a tricotomia da região periférica da unha. Em seguida é aplicado o anestésico local em uma faixa aproximada de 5 cm. Posteriormente é feito um corte com o bisturi na região sobre a muralha da unha. Após isso é necessário dissecar o local, para que após a amputação reste pele para a sutura. Em seguida é feito um corte separando os ligamentos da falange distal e medial. Assim a falange distal está amputada. É observado se há hemorragias, nesse caso é preciso localizá-los e conte-los. Posteriormente é feita a sutura. Antes de encerrar a sutura é preciso, com um dedo de luva cortado em forma de funil, fazer um dreno no local. É preciso que esse animal fique em observação, pois se os pontos se romperem deve-se refazê-los.




3 - Conclusão

Concluiu-se que a utilização de uma mão-de-obra qualificada tem sido fundamental no desempenho da pecuária. A atribuição de novas tecnologias tem adquirido uma maior credibilidade do produtor, que está cada vez mais conscientizado. Esses fatores são resultados de anos de trabalho e estudo de profissionais da área. Entretanto, ainda há muito que ser feito para alcançar o máximo de eficiência econômica e produtiva do setor. Um caminho a ser seguido é a integração da agricultura e pecuária na busca do desenvolvimento sustentável.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Qualidade do Leite

FATORES RELACIONADOS AO MANEJO E À ALIMENTAÇÃO DOS ANIMAIS

Existe uma relativa uniformidade na composição do leite, quando se compara vaca da mesma raça submetida a dietas semelhantes. Contudo, os valores médios variam consideravelmente entre vacas de diferentes raças, conforme se observa na Tabela 1. O componente do leite que apresenta maior variabilidade é a gordura. Esta variação pode ser observada, também, entre vacas da mesma raça que recebem alimentação distinta. Neste particular. o fator que mais interfere no percentual de gordura do leite é o teor de fibra da dieta ou a relação volumoso/concentrado. Assim, quanto maior o teor de fibra da dieta, ou seja, quanto maior a relação volumoso/concentrado, maior o teor de gordura do leite, devido à variação na proporção ácidos graxos voláteis produzidos no rúmen em função da diferença na dieta. Deve-se destacar, ainda, que o uso de tamponantes ou alcalinizastes na dieta, tais como bicarbonato de sódio ou oxido de magnésio, pode prevenir a queda no percentual de gordura do leite de vacas recebendo dietas com alto teor de concentrado (HARRIS & BACHMAN, 1988. O percentual de Extrato Seco Desengordurado (ESD) também pode variar em função do tipo de alimentação fornecida aos animais; porém, o nível de variação é muito menor do que o observação em relação ao teor de gordura. Esta variação parece estar relacionada, principalmente, com o nível de energia, uma vez que o aumento deste valor na dieta de vacas de alta produção pode conduzir a um aumento de até 0,2% no percentual de ESD. É importante destacar que a variação no ESD é decorrer, sobretudo, da variação do nível de proteína do leite, o que evidencia a importância deste parâmetro para a avaliação do rendimento industrial o produto utilizado como matéria-prima (RENEAU & PACKARD, 1991). O percentual de ESD diminui progressivamente com a idade do animal. Dentro de um ciclo de lactação, o ESD apresenta uma variação inversa à curva de produção de leite, ou seja: no primeiro mês o ESD é alto, diminuindo no segundo mês quando há o pico de produção de leite e voltando a aumentar no final da lactação, à medida que a produção decresce. A prenhez, por outro lado, determina um leve aumento no ESD, ocasionado pelo fato de haver uma pequena queda na produção de leite após a concepção (HARRIS & BACHMAN,1988). A ocorrência de enfermidades, sobretudo de mastites, pode causar alterações significativas na composição do leite. Animais acometidos de mastite clínica, ou mesmo subclínica, apresentam uma diminuição percentuais de gordura e de ESD, visto que há uma redução nos teores de lactose e, em alguns casos, de proteína (KITCHEN, 1981). No que concerne aos aspectos físico-químicos do leite, a acidez constitui o parâmetro de maior variabilidade entre os animais de uma mesma raça. O leite normal apresenta pH entre 6,5 e 6,7, o que corresponde a 16-18 graus na escala Dornic (ºD). O teste de Dornic tem sido o mais utilizado para avaliação de acidez, pois o mesmo detecta aumento da concentração de ácido lático, o qual, sendo formação pela fermentação dos açucares do leite, relaciona-se com a qualidade microbiológica do produto, No entanto, outros componentes acídicos do leite podem interferir nesse parâmetro, entre os quais destacam-se citratos, fosfatos e proteínas. Desta forma, a análise do leite recém-obtido de diferentes vacas pode apresentar resultados individuais variando entre 10-30º D, devido à presença destes componentes, e não ao ácido lático. Assim, o leite fresco de vacas Jersey apresenta, de forma geral, maior acidez do que o de vacas holandesas, devido ao teor mais elevado de proteína dos animais daquela raça (SPREER, 1991). Considerando os aspectos mencionados, seria importante definir critérios e padrões específicos para o valor de acidez para região e raça de animais. De modo, somente a análise rotineira do leite é capaz de determinar os valores mais adequados para cada produtor. Deve-se ressaltar, também, que a rejeição do leite baseada apenas neste critério, sem considerar as análises microbiológicas (Contagem Global ou Redutase) pode levar a penalidades injustas aos produtores, uma vez que um valor de acidez levemente aumentado pode ser devido tanto à contaminação bacteriana, quanto ao elevado nível de proteína no leite. O índice crioscópio (IC) corresponde à temperatura de congelamento do leite, cujo valor varia normalmente entre - 0,553 e - 0,551º C, portanto, em temperaturas inferiores a da água. Isso se deve à presença de componentes lácteos solúveis em água, principalmente os minerais e a lactose (BEHMER, 1980). Contudo, os componentes insolúveis do leite, como a proteína e a gordura, não interferem no valor do IC. Deste modo, as alterações encontradas nesse índice revelam, geralmente, adição de água ao leite, porém, não são relacionadas ao desnate ou variações na alimentação dos animais. A adição de água ao leite pode ser intencional ou acidental. Dentre as possibilidades de adição acidental de água, destacam-se os resíduos de água nos latões e drenagem incompleta após a limpeza dos sistemas de ordenha ou tanques de resfriamento. A densidade normal do leite situa-se entre 1,027 e 1,033. Este valor decorre da presença dos vários componentes, diluídos ou não na água que constitui o leite, os quais apresentam densidades variáveis. Destes, a gordura é único elemento que apresenta densidades do a água (esta é a razão pela qual a gordura “sobe” quando o leite é armazenado no latão ou tanque). Os demais componentes do leite densidade acima de 1, o que indica que valores abaixo deste nível pode significar adição de água, ou seja, diluição do leite. Inversamente, a obtenção de um valor acima do parâmetro normal indica, provavelmente, leite com teor muito baixo de gordura ou fraude por desnate do produto (BEHMER, 1980; SPREER, 1994).

FATORES RELACIONADOS À SAÚDE DA GLÂNDULA MAMÁRIA
A mastite é definida como sendo a inflamação da glândula mamária e caracteriza-se por causar alterações significativas na composição do leite e pelo aumento na sua concentração de células somáticas (GERMANO & GERMANO, 1995. A mastite tem sido considerada, mundialmente, a doença de maior impacto nos rebanhos leiteiros, devido à elevada prevalência e aos prejuízos econômicos que determina (GERMANO & GERMANO, 1995). Em paralelo, a mastite exerce um efeito extremamente negativo sobre a indústria de laticínios em função do impacto que determina sobre a qualidade do leite (BRAMLEY et al., 1996; SCHUKKEN et al., 1992; HARDING, 1995)). As infecções que acometem a glândula mamária provocam aumento na contagem de células somáticas (CCS) de leite. Estas células estão presentes, normalmente, no leite, e são constituídas, em sua grande maioria, por leucócitos, sobretudo neutrófilos, e células de descamação do epitélio secretor da glândula. Durante a evolução da mastite há um influxo maior dessas células para a glândula mamária, conduzindo à elevação do seu número (BIBALK, 1994; NICKERSON, 1994). O aumento na CCS está associado a diversas conseqüências negativas sobre o leite fluído e derivados, com destaque para as pedras no rendimento industrial de fabricação de produtos lácteos e para diminuição do seu respectivo “tempo de prateleira” (shelf-life). Na elaboração de queijos semiduros, a diminuição no rendimento industrial é particularmente drástica, podendo alcançar valores de até 4%. Isto significa uma perda final de 400kg de queijo para cada 100.000 litros de leite processado, se for considerado o rendimento médio de 1 Kg de queijo para cada 10 litros de leite utilizado. Há referências que atestam, também, o aumento do prazo necessário à coagulação do queijo, a perda de proteína no soro e o aumento na probabilidade de ocorrência de sabor rançoso no queijo e na manteiga (BARBANO et al., 1991 KITCHEN, 181; POLITIS & NGKWAI-HANG, 1988). As alterações no “tempo de prateleira” ocorrem no leite fluído e em produtos derivados. Este fenômeno deve-se, principalmente, à ação de enzimas proteolíticas, as quais, em grande parte, são termoestáveis, permanecendo ativas mesmo após os processos usuais de pasteurização do leite. Os principais efeitos destas enzimas manifestam-se na forma de alterações no sabor dos produtos lácteos. As enzimas proteolíticas geram um sabor amargo no leite armazenado e seus derivados, enquanto que as enzimas lipolíticas predispõem à ocorrência de sabor rançoso, em função da quebra dos ácidos graxos de cadeia curta (MURPHY, 1989; RENEAU & PACKARD, 1991). A ocorrência de mastite pode afetar, também, a qualidade microbiológica do leite (GERMANO & GERMANO, 1995). Primeiramente, os próprios patógenos causadores da mastite podem gerar aumento na contagem globo de microrganismo em placa (CGP), do leite entregue à indústria. Isto é particularmente é importante em rebanhos que apresentam alta prevalência da doença causada por Streptococcus agalactiae e S. uberis. Além disso, outras bactérias causadoras de mastite, tais como Staphylococcus aureaus e Escherichiacoli, porém gerar toxinas termoresistente, o representa um risco considerável à saúde humana (BRAMLEY, 1996).
O tratamento das mastites, por outro lado, apresenta sérias implicações em Saúde Pública, devido, sobretudo, à presença de resíduos de antibióticos no leite. Alguns estudos têm demonstrado que a maior fonte destes resíduos é representada, pela freqüente inoculação intramamária de antibióticos utilizados no combate à mastite (ALLISON, 1995). Os valores de CCS estão diretamente relacionados ao aumento na contagem de bactérias psicrófilas no leite. Esta associação advém do fato de que a principal fonte destes microrganismos é a superfície externa dos tetos (PACKARD & GINN, 1991). Assim, quanto melhor a desinfecção tetos, mais baixa a Ccs e menor a concentração de bactérias psicrófilas no leite produzido. Deve-se ressaltar que os critérios de higiene da glândula mamária tornam-se ainda mais importantes à medida que se intensificam as ações para o resfriamento do leite na propriedade rural, imediatamente após a ordenha, a exemplo do que vem ocorrendo atualmente no país. A composição do leite, também, sofre modificações decorrentes de mastite, conforme pode ser observado na Tabela 2. Estas alterações conduzem à diminuição do valor nutritivo dos produtos lácteos, especialmente em relação aos teores de cálcio. Além disso, o leite adquire um sabor salgado, devido ao aumento dos níveis de sódio e cloro, e da queda do percentual de lactose (KITCHEN, 1981). Os efeitos das mastites sobre a proteína do leite são de natureza qualitativa, uma vez que os valores absolutos de proteína bruta não sofrem alterações significativas. Assim, o leite proveniente de vacas com mastite apresenta menor teor de caseína, que é a proteína nobre do leite acompanhada do aumento dos níveis de proteínas sérias, como soroalbuminas e imunoglobulinas (SCHULTZ, 1997). As conseqüências mais importantes destas alterações manifestam-se sobre o rendimento industrial e o valor nutritivo dos produtos lácteos, sobretudo queijos e iogurtes.

FATORES RELACIONADOS À HIGIENE NA ORDENHA
A obtenção do leite constitui a etapa de maior vulnerabilidade para a ocorrência de contaminações por sujidades, microrganismos e substâncias químicas, presentes no próprio local de ordenha, e que podem ser imediatamente incorporados ao produto In natural. A presença de partículas sólidas em suspensão no leite pode ser avaliada, rapidamente, através da prova de sedimentos, qual consiste na passagem de um determinado volume de leite, sob pressão, através de um filtro (filtro de Mint) de porosidade suficiente para reter as sujidades presentes no leite, entre elas terra, esterco, palha e pêlos. As partículas retidas no disco são, então, isoladas e pesadas, sendo os resultados desta prova interpretados de acordo com a escala descrita por BEHMER (1980): Péssimo (5-10 mg de sujidades/L de leite); Mau (2,5-5mg/L; Regular (0,5-2,5mg/L); Bom (até 0,5mg/L; Ótimo (ausência de sujidades/L). Com relação à avaliação das características microbiológicas do leite, a prova da redutase e a CGP constituem as técnicas tradicionalmente empregadas em laticínios. A primeira tem sido utilizada principalmente para leite entregue em latões, e a CGP para leite entregue a granel. A prova de redutase é utilizada como indicadora da carga total de microorganismos, e apresenta, como princípio, o descaramento provocado pela ação enzimática microbiana sobre o leite adicionado de solução de azul de metileno, resazurina ou cloreto de trifeniltetrazolio (AMERICAN PULIC HEALTH ASSOCIATION, 1984). O tempo necessário para esta descoloração é inversamente proporcional ao número de germes presentes no leite. Entretanto, a correlação entre estas variáveis é baixa (-036>1>-0,62), particularmente em leites mantidos em baixas temperaturas, o que limita a aplicação rotineira deste teste para estimar o número total de microrganismos em plataformas de leite (LÜCK, 1987). É importante destacar, porém, o valor desta prova para avaliar a condição do leite cru em latões, devido à simplicidade de execução e relativa rapidez de obtenção de resultados. A CGP determina, diretamente, o número de microrganismos, presentes no leite, sendo expressa em unidades formadoras de colônias/m1. Em condições ideais de higiene ordenha, a CGP inicial do leite situa-se em torno de 1.000 a 9.000 ufc/m1 (SPREER, 1991). Após a ordenha, os principais fatores responsáveis pelo aumento deste valor incluem a temperatura de armazenagem do produto e o tempo decorrido até o seu beneficiamento. A carga microbiana inicial, por outro lado, está diretamente associada à limpeza dos utensílios utilizados para retirada e transporte do leite. Desta forma, a higienização deficiente dos baldes, latões e sistema de ordenhas são apontados como os principais fatores responsáveis pelo aumento deste parâmetro. Um ponto a ressaltar é que não existe relação estreita entre a ocorrência de mastite e a CGP do leite, isto porque o número de colônias m1 dos microrganismos causador de mastite é muito baixo (RENEAU & PACKARD, 1991). Uma exceção, neste caso, seria a mastite causada por Streptococcus agalactiae. Portanto, caso não haja um surto causado por este agente no rebanho, a origem da alta contaminação microbiana do leite passa a ser prioritariamente os utensílios e o sistema de ordenha mal higienizados. Neste sentido, a qualidade da água utilizada para lavagem dos utensílios, equipamentos de ordenha e tetos dos animais é fundamental para evitar a contaminação do leite. Considerando que a superfície dos tetos representa uma importante fonte de contaminação do leite, conclui-se que a lavagem e desinfecção dos mesmos antes da ordenha contribuem, significativamente, para o controle dos níveis de CGP. Estima-se que mais de 95% das causas de latas contagens de CGP são originárias de deficiências na lavagem e sanitização de equipamentos e utensílios de ordenha, ou estão associadas às deficiências de resfriamento do produto recém-ordenhado (EVERSON, 1984).

FATORES RELACIONADOS À ARMAZENAGEM E AO TRANSPORTE
Os critérios de qualidades do leite utilizado na elaboração de derivados seguem as mesmas normas estabelecidas para o leite tipo C. Assim, a maior parte deste leite é produzido em fazendas leiteiras e disposto em latões, os quais são recolhidos por caminhões e levados até postos de refrigeração para, finalmente, ser transportado até a usina de beneficiamento. Este fluxograma tem sido utilizado por várias décadas e constitui, ainda hoje, a principal forma de captação de leite pelas indústrias (SILVESTRINI, 1985). Entretanto, este modelo necessita de uma profunda revisão, uma vez que, com a implementação de programas de qualidade total, as empresas deverão exigir, cada vez mais melhor qualidade do leite in natura. A relação tempo-temperatura assume destacada relevância para a conservação do leite recém-ordenhado. Para o leite C, a legislação brasileira estabelece o intervalo máximo de 12 horas entre a ordenha e a chegada na plataforma da usina (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 1980). A cadeia de frio é fundamental, também, para a prevenção de microrganismos patogênicos no leite. O produto extraído da vaca deve chegar ao local de armazenamento (latão ou tanque) com uma carga microbiana variando entre 500 e 10.000 ufc/m1. Recomenda-se, também, resfriar o leite a 4º C dentro de duas horas após a primeira ordenha. Nos casos em que se utiliza o sistema de tanque de expansão, a temperatura do leite de mistura, após a segunda ordenha, não deve ultrapassar 10º C, atingindo o máximo de 4º C dentro de uma hora. Para melhorar as condições de captação do leite, algumas empresas têm desenvolvido programas, cujo objetivo principal é racionalizar o transporte do leite resfriado nas fazendas diretamente até a usina de beneficiamento, sem a necessidade de veículos de coleta de latões e postos de refrigeração. Este procedimento recebe o nome de “granelização” e é adotado em diversos países da Europa, além dos Estados Unidos e Argentina. Sob o aspecto da qualidade do leite, as vantagens da granelização são evidentes, pois garantem o transporte do leite resfriado a cerca de 4º C em caminhões-tanque isotérmicos, com um mínimo de manipulação. A adoção deste procedimento representa uma evolução significativa sob o aspecto microbiológico do leite cru, particularmente em relação ao binômio tempo-temperatura, passando a privilegiar a temperatura de estocagem e transporte do produto recém-ordenhado ao invés de apenas limitar o tempo gasto para a sua distribuição, desde a propriedade rural, até a usina de beneficiamento.

PERSPECTIVAS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO LEITE
Além da coleta de leite a granel, uma das estratégias mais aceita para a melhoria da qualidade do leite é a utilização de um incentivo ao produtor: o estabelecimento de preços variáveis em função da qualidade do leite, a exemplo do que já ocorre em relação ao pagamento diferenciado pelo teor de gordura. Em países da Europa e da América do Norte, os parâmetros de qualidade incluem, além da Contagem Global e índice crioscópico, a Contagem a Células Somáticas e o percentual de proteínas do leite, os quais são fortemente relacionados com o rendimento industrial e com a qualidade do produto final. Entretanto, estas análises apresentam custo operacional elevado em função dos equipamentos que requerem, o que dificulta a sua absorção plena pelos setores envolvidos. É importante destacar, também, que os parâmetros de qualidade do leite, a serem adotados para diferenciar o preço pago ao produtor, devem ser condizentes com a realidade do país. Isto se aplica particularmente no caso do Brasil, onde o setor de produção de leite, principalmente do leite C, não conseguiu acompanhar evolução tecnológica das industrias de laticínios ocorrida nas últimas décadas. Deve-se lembrar que, paralelamente à classificação do leite, as usinas e os serviços de extensão devem incrementar o desenvolvimento das atividades de orientação e apoio aos produtores, com a finalidade de aprimorar as técnicas de produção obtenção do produto. Com base na experiência de algumas indústrias, pode-se enumerar os seguintes aspectos importantes:
manejo zootécnico e nutricional adequados dos animais;limpeza e desinfecção dos utensílios da ordenha, tais como baldes, coadores e mesmo ordenhadeiras, incluindo a substituição ou aquisição de equipamentos e utensílios;limpeza e desinfecção das instalações de ordenha, incluindo melhorias na estrutura, pequenas reformas de estábulos e provisão adequada de água; limpeza e desinfecção criteriosa do úbere dos animais;diagnóstico contra brucelose e encontro da tuberculose; introdução de resfriadores de expansão nas propriedades.

IMPACTO SOBRE A SAUDE PUBLICA
O leite é considerado como o produto mais nobre dos alimentos, dada sua composição peculiar rica em produto mais nobre dos alimentos, dada sua composição peculiar rica em proteína, gordura, carboidratos, sais minerais e vitaminas. Constitui o alimento essencial dos recém-nascidos, para todas as espécies de mamíferos, aí incluído o próprio homem; em particular para a espécie humana, e as restrições ao seu uso são limitadas a casos excepcionais. O mesmo se aplica para todos os derivados lácticos. Assim, do ponto de vista da saúde pública, o leite ocupa lugar de destaque em nutrição humana. Contudo, ao lado da indiscutível qualidade intrínseca, há o permanente risco do leite servir como veiculador de microrganismos patogênicos ou de ser alvo de fraudes durante o processamento. Em ambas as circunstâncias, o produto passa a ser prejudicial para a saúde do consumidor. A venda de leite e produtos derivados, diretos do produtor ao consumidor, sem qualquer tratamento a pasteurização, expõe a população ao risco de doenças como tuberculose e brucelose entre outras, além de não assegurar a distribuição de um produto integral. O controle higiênico-sanitário dos rebanhos e da ordenha é fundamental para se garantir a composição ideal do leite e reduzir o risco de transmissão de agentes de doença. A refrigeração pós-ordenha e o transporte as lacticínio permitem aumentar a durabilidade do produto. Posteriormente, a avaliação da qualidade do leite in natura, mediante provas físico-químicas, complementadas por exames microbiológicos, possibilitam a identificação dos produtores com problemas zootécnicos e até mesmo os inidôneos. A pasteurização, finalmente, do leite com qualidade controlada assegura a distribuição de um produto isento de riscos maiores à população, o mesmo se aplicando para todos os seus derivados. Para que isto se torne realidade é necessário que:
os proprietários façam investimentos de ordem zootécnica nos rebanhos, nas instalações e nos equipamentos destinados à ordenha; os responsáveis pelos lacticínios agilizem e modernizem o sistema de transporte do leite das propriedades para as plataformas de recepção do produto; e, nos lacticínios haja o controle adequado do leite recebido e que os demais procedimentos assegurem a qualidade final do produto. Compete, finalmente, a autoridades no âmbito das esferas federal e estadual pelos serviços de inspeção dos produtos de origem animal, e na esfera municipal, pelos órgãos de vigilância sanitária, fiscalizar as atividades da industria e do comércio varejista, respectivamente. É importante, ainda, não relegar a plano secundário a necessidade de realizar campanhas periódicas de esclarecimento à população para que evite o consumo de leite de origem clandestina. Assim, as questões que envolvem a melhoria da qualidade do leite ao nível da produção são extremamente complexas e requerem o esforço conjunto de todos os setores relacionados. Entretanto, a implantação de programas que incluam os conceitos apresentados, certamente contribuirá para estimular o conhecimento de que a melhoria da qualidade do leite é imprescindível para o desenvolvimento da pecuária leiteira e sua manutenção como atividade economicamente viável e lucrativa, bem como é da mais alta relevância para a saúde pública.

Prevençao da mastite

Prevenção da mastite
Os programas de prevenção e controle da mastite têm por objetivo limitar a prevalência das infecções e por conseqüência diminuir os
impactos econômicos na atividade leiteira. Um bom programa de controle deve ter como metas principais, erradicar as mastites contagiosas por Streptococcus agalactiae, controlar as por Staphylococcus aureus, manter baixos os índices de mastites ambientais, contagens de células somáticas abaixo de 200.000/mL/leite, menos de 2% de episódios clínicos ao mês e 85% das vacas livres de mastite subclínica. Para alcançar estas metas é necessário atuar sobre a fonte de infecção, detectando corretamente as vacas com mastite clínica e subclínica, tratando-as corretamente, eliminar os animais com infecções crônicas. Em relação aos animais susceptíveis procurar a seleção de vacas naturalmente mais resistentes e propiciar o fornecimento de alimentação equilibrada aos animais. Deve-se atuar ainda sobre as vias de transmissão da mastite, implantando um correto manejo e higiene de ordenha e manter as vacas em ambiente seco e limpo.
Vários programas foram propostos para diminuir a ocorrência d e mastite em vacas. Entre as principais medidas estão o monitoramento dos índices de mastite, pré e pós imersão dos tetos em solução anti-séptica, conforto ambiental, tratamento das vacas ao secar, tratamento dos casos clínicos, descarte de vacas com infecções crônicas, higiene, manejo e manutenção dos equipamentos de ordenha (CULLOR, 1983; PHILPOT & NICKERSON, 1991; NICKERSON et al., 1995; NICKERSON, 1998; MÜLLER, 1999; FONSECA & SANTOS, 2000). Os seguintes pontos devem ser enfatizados em um bom programa de prevenção e controle da mastite:

2. MÃO-DE-OBRA ESPECIALIZADA
Para o estabelecimento de um programa eficiente de controle de mastite é essencial o treinamento de pessoal, principalmente dos ordenhadores, sobre princípios de higiene, fisiologia da lactação, funcionamento e manutenção do equipamento de ordenha.

3. MONITORAMENTO DOS INDICES DE MASTITE
É de fundamental importância manter o protocolo das principais ações como escore de células somáticas, teste da caneca, CMT, índices de mastites clinica e subclínica, perfil microbiológico e de resistência a antimicrobianos.
Com estes dados torna-se possível uma analise da situação do rebanho levando em consideração ainda o numero de lactações, estagio de lactação e produção. Dependendo destes resultados é possível estabelecer prioridades sejam elas voltadas para as mastites contagiosas ou ambientais.

4. HIGIENE AMBIENTAL
A manutenção dos animais em ambientes higiênicos, secos e confortáveis visa em primeiro plano minimizar os problemas relativos às mastites ambientais, mas indiretamente tem reflexo nos índices de mastite contagiosa. Animais com úberes sujos exigem maiores cuidados por ocasião da ordenha. Deve ser dada atenção especial às instalações para vacas secas, novilhas e vacas em lactação como piquetes, sombreamento, dimensão correta das instalações nos diferentes sistemas de confinamento, natureza da cama e baias ou piquetes de parição.

5. TRATAMENTO MASTITE CLÍNICA
Os tratamentos de mastite clinica devem ser tratados imediatamente, sob orientação de medico veterinário. Deve ser observado o perfil microbiológico e de sensibilidade, dose e via de aplicação. Se possível coletar amostra de leite para posterior analise no caso de falha do tratamento.

6. TRATAMENTO DE VACA SECA
O tratamento das vacas no dia da secagem tem por finalidade a cura de infecções subclínica e a prevenção de novas infecções no período seco. Nas primeiras semanas pós-secagem a taxa de risco para novas infecções é muito alta. O tratamento da mastite subclínica apresenta taxas de cura mais elevadas
em relação ao tratamento durante a lactação. O correto é tratar todas as vacas ao secar, por via intramamária com produto de longa ação.

7. ELIMINAÇÃO DE VACAS COM INFECÇÕES CRÔNICAS
É importante a adoção de um esquema rigoroso de descarte dos animais com infecções crônicas.

8. MANEJO E HIGIENE DE ORDENHA
A ordenha é o momento mais importante da atividade leiteira por constituir-se na medida mais importante de controle da mastite e possibilitar a melhoria da qualidade do leite. A ordenha deve ser realizada por pessoas treinadas, com tranqüilidade, obedecendo a uma rotina pré-estabelecida. As seguintes etapas são essenciais para uma ordenha correta:

-Teste da caneca
Este teste permite o diagnóstico da mastite clinica e diminui o índice de contaminação do leite;

-Limpeza dos tetos com água clorada
Este procedimento visa a lavagem somente dos tetos e não do úbere. Deve ser utilizado obrigatoriamente nas vacas com tetos visivelmente sujos. Nos animais com tetos limpos pode ser otimizada;

-Imersão dos tetos em solução anti-séptica por 30 segundos
O “pré-dipping” foi desenvolvido como medida de prevenção para as mastites ambientais. Calcula-se uma redução em até 50% na taxa de novas infecções;

-Secagem dos tetos
Os tetos devem ser secos com papel toalha descartável. Esta etapa é de extrema importância na higienização dos tetos já que associada à lavagem pode reduzir em 50 a 85% os índices de novas infecções. Quando da utilização do “pré-dipping” e não da lavagem dos tetos, os mesmos também devem ser secos com papel toalha visando à retirada do anti-séptico. Este conjunto de procedimentos, além de propiciar a higienização dos tetos é de fundamental importância para uma ordenha mais rápida e completa. Associado a outros estímulos eleva os níveis de ocitocina que propicie a “descida” mais rápida do leite e intumescimento dos tetos, o que por sua vez permite a colocação correta dos insufladores, diminuindo os riscos de deslizamento das mesmas. O pré-estimulo deve durar de 40 segundos a 1 minuto.

-Retirada dos insufladores
Para a retirada das teteiras deve ser fechado o registro de vácuo. A sobre-ordenha deve ser evitada por provocar lesões nos tetos, que por sua vez predispõem a mastite. Quanto à retirada do leite residual, as opiniões dos pesquisadores divergem. Uma ligeira pressão sobre o conjunto de insufladores por alguns segundos propicia uma esgota mais completa.

-Imersão dos tetos em solução anti-séptica
A imersão dos tetos deve ocorrer imediatamente após a retirada dos insufladores. A imersão dos tetos deve ser total, utilizando-se frascos de imersão, não permitindo o retorno do produto. Este procedimento, associado ao tratamento de vacas secas, é responsável por uma diminuição significativa nas mastites contagiosas.

-Desinfecção dos insufladores
A desinfecção das teteiras entre a ordenha de uma vaca e outra deve ser realizada pela imersão das mesmas em solução sanificante, que deve ser trocada com freqüência. As quatro teteiras não devem ser imersas ao mesmo tempo. Nos equipamentos modernos, esta etapa de higienização é automatizada (BACKFLUSHING).

- Ordem de ordenha
Estabelecer uma ordem de ordenha deixando as vacas infectadas para o final ou mesmo segrega-las.

9. HIGIENIZAÇÃO E MANUTENÇÃO DO EQUIPAMENTO DE ORDENHA
A limpeza do equipamento é tão importante quanto o manejo e higiene da ordenha, sendo fundamental para a qualidade do leite. As principais etapas de limpeza do equipamento constituem-se de enxágüe com água morna (32 a 41°C), enxágüe com água e detergente alcalino clorado (71 a 74°C), enxágüe acido e santificação pré-ordenha. Em relação à instalação e manutenção do equipamento devem ser obedecidas as normas internacionais (ISSO 5707-3 A) dando ênfase ao dimensionamento da bomba de vácuo, nível de vácuo, pulsação e troca de teteiras.

Além destas medidas deve ser dado atenção especial à dieta dos animais, tanto em lactação como no período seco. Deficiências de vitaminas e minerais podem aumentar a suscetibilidade a infecções e em especial à mastite. A vitamina A e E, selênio, cobre e β-carotenos influenciam positivamente a resistência às mastites.

10. VACINAÇÃO
Uma medida complementar no controle da mastite é a vacinação. No caso das mastites ambientais por coliformes existem vacinas no mercado, que quando aplicadas no período seco e ao parto reduzem a incidência e a gravidade dos sintomas na lactação subseqüente. Investigações recentes também apresentam resultados promissores em relação ao controle das mastites por S. aureus.

Concluindo, a conscientização por parte do produtor dos prejuízos causados pela mastite, a adoção criteriosa e persistente das medidas preventivas e de controle anteriormente citadas e a aceitação de novas técnicas de prevenção e controle por parte dos produtores e técnicos, fará com que as infecções da glândula mamária não afetem negativamente a renda do produtor. As mesmas medidas permitirão a obtenção e o fornecimento de um leite de melhor qualidade para a indústria e por conseqüência ao consumidor.

Fatores que interferem na qualidade do leite

Fatores que interferem na qualidade do leite


Eliane Resende Costa Cavalcanti
Médica Veterinária -Centro Federal de Educação Tecnológica de Urutaí -Go
Mestranda do Curso de Pós – Graduação em Educação Profissional Agrícola pela UFRRJ

eliane-resende@hotmail.com


O leite, ao ser sintetizado e secretado para o lúmen alveolar, encontra-se livre de microrganismos (TOLE, 1980 apud MURPHY e BOOR, 1998); porém, contamina-se durante seu percurso em direção ao exterior do úbere, com microrganismos saprófitos, componentes da microbiota normal do animal (LERCHE, 1969). A quantidade de microrganismos presentes no leite cru varia de acordo com a contaminação inicial, tempo e temperatura de armazenamento.O leite poderá apresentar uma variedade de microrganismos patogênicos em decorrência de processos inflamatórios do úbere ou de enfermidades no rebanho. A quantidade de microrganismo no leite cru constitui importante indicador de sua qualidade e pressupõe a saúde da vaca, a higiene de ordenha.
Os microrganismos contaminantes do leite, após a ordenha, provenientes de equipamentos e utensílios, do meio ambiente e do pessoal responsável pela obtenção e manipulação do leite, são relevantes, podendo causar alterações indesejáveis, comprometendo sua qualidade e de seus derivados. A condição sanitária do rebanho leiteiro, as boas práticas de higiene durante a ordenha e a conservação do leite em baixas temperaturas (4 a 5ºC) até o momento de ser processado são importantes para evitar o desenvolvimento dos microrganismos indesejáveis que ocasionariam a deterioração, do leite podendo inclusive torná-lo inaproveitável para o consumo humano.(OLIVEIRA, 1986).
Segundo Nelson W. Philpot, o aparecimento de sabores indesejáveis no leite e nos derivados pode ser resultado de resfriamento inadequado, congelamento do leite no tanque de expansão, agitação excessiva, presença de colostro, adulteração com solução de limpeza, alimentação inadequada dos animais.A taxa de multiplicação dos microrganismos depende do tempo e temperatura de estocagem do leite. “Sob condições ideais, muitas bactérias dobram a sua população a cada 20 minutos dessa forma, uma única bactéria pode teoricamente transforma-se em mais de um bilhão de microrganismos em apenas10 horas, quando as condições forem favoráveis ao seu crescimento” calcula Philpot (1998). Portanto, o leite deve ser armazenado a menos de 5ºC o mais breve possível, após a retirada do úbere da vaca.
O rápido abaixamento da temperatura do leite após a ordenha é uma das estratégias mais eficazes para garantir a qualidade microbiológica do produto, mas esta prática deve obrigatoriamente vir acompanhada de medidas de controle de mastite, adequados procedimentos de higiene durante a ordenha, limpeza e desinfecção adequados dos utensílios e equipamentos de ordenha e boa qualidade da água utilizada na fazenda.
A melhoria da qualidade do leite é resultado de uma série de fatores, que passa pela educação e pelo treinamento dos produtores e técnicos.
Há uma necessidade da conscientização do produtor rural no cumprimento das medidas higiênico-sanitárias bem como da estocagem, só desta forma poderá ser ofertado ao consumidor um produto compatível com a legislação vigente, quer no âmbito industrial e comercial.